Orgulhamo-nos de nossa evolução tecnológica, mas como anda a evolução humana?

Tenho pensado na humanidade, na evolução humana, no nosso futuro. Li esses dias sobre o Paradoxo de Fermi e fiquei pensando sobre nosso nível evolutivo, qual é nosso objetivo como espécie, para onde estamos nos encaminhando. O texto é muito bom, está aqui se você quiser ler.

A existência da vida é um acontecimento magnífico e se repete a cada segundo nesse planeta. Que lugar maravilhoso, este que permite que isso aconteça. E nós, seres humanos, uma espécie inteligente e criativa que ocupa a Terra há não muitos anos, estamos aqui desfrutando esse milagre, esse canto do Universo, da nossa galáxia, do sistema solar.

Gosto muito de pensar em termos macro, em larga escala. Me dá uma tranquilidade, tira um pouco de peso da minha existência individual, me faz pensar no grande emaranhado cósmico do qual fazemos parte.

Mas voltando à questão do começo: a existência da vida é um grande milagre. Mas se dermos "zoom" e aproximarmos essa lente da sociedade humana, será que estamos indo por um bom caminho? Nos sentimos bastante orgulhosos de nossas engenhocas tecnológicas, da ciência, de tudo o que descobrimos até hoje. Curamos doenças, produzimos combustível, nos mantemos quentes no inverno e refrescados no calor. Comemos comidas sofisticadas, fazemos viagens de avião, mergulhamos no fundo do mar, até já pisamos em nossa Lua. Mas também temos guerras, opressão, pessoas morrendo sem qualquer sentido e o dinheiro movendo o mundo. Se estudarmos mais atentamente a economia e a política, vamos perceber que em termos de "sociedade humana" hoje o dinheiro move o mundo. Países e empresas se relacionam assim.

O tema central das cúpulas empresariais e políticas não é como trazer bem-estar e evolução em todos os sentidos para mais e mais pessoas. Seria totalmente ingênuo pensar isso. O tema central é influência, poder, ganhos financeiros, ganhos a curto, médio e longo prazo. Não estou culpando ninguém especificamente. Esse é o fluxo atual, é assim que as coisas simplesmente acontecem, como se fosse a forma mais natural possível.

Somos muito orgulhosos de nossa ciência e nossa tecnologia, mas no campo espiritual não sei se já evoluímos o suficiente para que possamos de fato nos orgulhar de nosso estado atual como espécie.

Existem muitas pessoas boas, diário, que fique claro. Muitas mesmo. Muitas pessoas e grupos focam seu dia-a-dia em seu projeto espiritual, em serem pessoas mais amáveis, plenas, capazes de agir com compaixão. Mas também não posso deixar de ver que por toda parte há sofrimento. Guerras, crimes, pessoas matando por nada, pessoas não pensando na conseqüência de seus atos para outros seres humanos, pessoas pensando apenas em seu benefício financeiro.

E se colocarmos uma lupa ainda mais potente, diário, e olharmos a vida das pessoas, agora não mais as sociedades, mas sim famílias, pequenos grupos: vemos emoções negativas, inveja, egoísmo, falta de vontade de ajudar alguém além de si mesmo. Até em relacionamentos que supostamente deveriam produzir e cultivar uma imensidão de trocas amorosas e compaixão, vemos outras emoções imperarem. Talvez por falta de uma educação espiritual mais incisiva; talvez por influência do entorno: o mundo não parece incentivar a espiritualidade e compaixão, o mundo prefere incentivar pessoas bem sucedidas, pessoas que "sempre se dão bem", pessoas que "saem por cima".

É difícil exigir algo mais profundo de nossa espécie quando a mentalidade que parece imperar é a do aparentemente bonito e atraente, do sucesso financeiro, do poder, da dominação. Isso é repetido por todos os lados. No mundo em que vivemos hoje, desejar que se valorize em primeiro lugar o bem-estar geral e evolução espiritual (coletivamente falando), parece algo totalmente ingênuo, infantil e surreal. Infelizmente.

Era isso que eu queria te dizer hoje, diário. Orgulhamo-nos de nossa evolução tecnológica, mas estamos evoluindo como espécie? Não sei responder, diário, queria acreditar que sim.

Fico pensando nos inúmeros eventos emocionantes e completamente amorosos que vemos no dia-a-dia, pessoas totalmente motivadas em servir e causar o bem em outras. Foco nesses eventos e quero acreditar que eles são cada dia mais frequentes e que um dia a humanidade inteira será assim. Mas às vezes o mundo me faz pensar que continuamos no mesmo estágio espiritual do homem das cavernas, com a diferença que temos antibióticos, foguetes e smartphones.

Talvez seja apenas uma fase, talvez semana que vem eu esteja mais otimista.

Até breve,

Luiza

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Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

Foto: Luciana Whitaker / CrayonStock