Previsões para o ano 2100 - parte 1

O ano de 2100 está muito perto, faltam apenas 85 anos e alguns dias para que ele chegue, mas mesmo assim acho que vale a pena fazer previsões para ele; quem sabe elas não nos inspiram e nos fazem avançar com o que temos hoje? 

Gosto muito de pensar no futuro, de ter ideias sobre ele. Sei que falar sobre o futuro é mais adequado para físicos quânticos, astronautas e similares, mas deixo minha humildade de lado por alguns instantes e embarco nessa empreitada.

No ano 2100 eu terei 111 anos e, se mantiver a alimentação que tenho hoje, acho que estarei saudável e possivelmente fazendo minhas caminhadas diárias. Sou otimista e acredito na medicina, Diário, o que posso fazer?

No ano de 2100 o mundo vai estar muito mais globalizado do que hoje. A divisão interna em países ou nações não vai mais ter sentido, tão frequente será a movimentação diária e frenética de indivíduos (vou falar dos meios de transporte e comunicação, como serão rápidos!). Alguns países mais antigos ainda usarão passaporte e documentações nacionais, mas a maioria usará registros eletrônicos com cadastros globais de leitura óptica e chip implantados nas pessoas.

O mundo será dividido e organizado por atividades de interesse. Resquícios culturais dos atuais países ainda existirão, mas as pessoas irão se agrupar pelas atividades que praticam diariamente, que poderemos chamar de empregos ou ocupações. Algumas poucas línguas irão se tornar predominantes e aqueles que desejarem circular com mais freqüência pelo planeta terão que dominá-las. Mas haverá chips de conhecimento que serão implantados nas pessoas e seus computadores pessoais, não há o que temer.

Os meios de transporte irão evoluir e se diversificar bastante. Estarão disponíveis muitas novas formas de transporte terrestres, aéreos e fluviais auto-dirigíveis: a pessoa diz ou digita qual será seu destino e a máquina vai. Meios públicos e privados de transporte serão assim. Os trânsitos e engarrafamentos, ao contrário do que pode se pensar, acontecerão em todos os meios. Ah, esqueci de dizer: em 2100 ainda não teremos teletransporte, infelizmente.

Quase todas as atividades de produção e manufatura estarão totalmente motorizadas, apenas os lugares menos desenvolvidos ou que se fecharam à internet e à economia global ainda utilizarão alguma forma de trabalho humano. As casas, por padrão, serão automatizadas, o custo da grande maioria dos itens de automatização cairá bastante. Ter uma casa totalmente automatizada será como ter acesso a tratamento de esgoto e água encanada hoje.

A indústria alimentícia sofrerá grandes mudanças. Depois da forte crise que passaram no meio do século XXI, foi necessário transformar a produção e distribuição de alimentos para que metade do globo não morresse de fome e os problemas ambientais não se agravassem. Para a surpresa de vocês, mais de oitenta e cinco por cento da população, por necessidade ou por convicção, será vegetariana em 2100, estando esse número a crescer a cada dia. Os alimentos no geral serão enriquecidos com suplementos, para que grande parte da saúde possa ser tirada da alimentação diária e menos pessoas pelo mundo sofram de deficiências nutricionais.

Ah, a internet! Esse começo de internet que conhecemos em nosso tempo, em 2014, não dá nem sinais do que vai se tornar daqui a 85 anos. A internet estará por toda parte: no chão, nas paredes, nos tetos,  nas câmeras que registram tudo o que acontece, em nossas roupas, sob nossas roupas, sob a nossa pele e em nossa corrente sanguínea. Tudo é constantemente monitorado, transformado em dados e lançado à nuvem. São tantos monitoramentos de toda e qualquer atividade que pode-se dizer que em 2100 é possíve ler o pensamento humano.

O ensino foi transformado. Todos de nossa geração que foram à escola (ou que querem que seus filhos vão à escola), ficarão impressionados com os métodos de ensino de 2100, se é que podemos chamar de "métodos de ensino". Por um custo baixo os pais podem comprar módulos pré-programados de conhecimento para implantar nos chips internos dos bebês. Os módulos são facilitadores do aprendizado e programam o corpo e a mente do bebê para que recebam melhor determinado conhecimento. Esses módulos serão constantemente atualizados conforme a pessoa vai crescendo. Haverá escolas sim, mas serão quase como centros de treinamento em que as crianças e os jovens aprendem a lidar com seus chips e micro computadores pessoais. Em 2100 o custo dos chips e softwares internos estará já bem mais baixo e teremos resolvido os problemas de 2080, quando o acesso desses chips ainda era ainda apenas para pessoas ricas.

O dinheiro... Ah, esse continuará a existir. Eu queria que ele acabasse e de alguma forma as pessoas não sacrificassem suas vidas e seu equilíbrio por ele, mas ele estará lá, firme e forte. Mas existirão diversas formas de dinheiro e meios de pagamento, e isso será, no meio do século XXI, um grande problema para a nossa justiça criminal. Dinheiro em espécie, cheques, cartões de crédito, diversos tipos de moedas virtuais, moedas em horas de trabalho, em hectares de produção, em prêmios de corrida... Muitos tipos de dinheiro existirão, e os conversores serão máquinas essenciais para dizer quanto cada coisa vale. Os conversores globais estarão conectados entre si e farão com que a cada segundo os valores de todo o mundo se equilibrem. Parece confuso, mas foi a única maneira encontrada para permitir o fim das economias internas e passagem para a economia global integrada.

Um tema que me preocupava muito era a questão da igualdade no mundo, porque em 2014 temos muitas pessoas vivendo na extrema miséria e outras vivendo em um oásis de bem-estar. Isso melhorou, com a unificação da economia global e com todos os meios de monitoramento que criamos talvez o melhor benefício tenha sido a igualdade social que geramos pelo mundo todo. Nunca tivemos um número tão grande de pessoas desfrutando uma altíssima qualidade de vida, talvez mais de 50 bilhões de pessoas. Mas nem tudo é perfeito. O movimento de igualdade global foi acompanhado pelo surgimento de milhares de territórios ditatoriais que se fecharam à internet e à economia global e preferiram criar suas próprias regras. São os buracos negros do ano 2100, sabemos que muitas coisas horríveis acontecem por lá, principalmente porque não temos quase nenhum meio de fiscalização digital lá dentro. Isso me deixa muito triste.

Mas sabemos que não será por muito tempo. A história nos vem mostrando que o mundo material é completamente transitório e mutante e que muitas vezes as coisas se transformam mais rápido do que esperamos.

A saúde avançou de forma magnífica, sempre confiei muito no poder dos médicos e eles nos impressionam a cada dia. Em 2100 não há nenhuma doença que não seja totalmente dominada pela medicina e passível de cura. A saúde é algo acessível a todos, como hoje em 2014 é o oxigênio. Não temos problemas de saúde pública e os hospitais são absolutamente modernos, coloridos e agradáveis em 2100. São praticamente clubes de lazer, relaxamento e equilíbrio. Não comentei quando falei em alimentação, mas as vacinas e medicamentos preventivos estão presentes nas comidas (e com um sabor incrível!), assim até os esquecidos conseguem ficar imunes.

Ah, a física quântica, ainda bem que ela existe! Depois da comprovação dos multiversos (co-existência de infinitos Universos como o nosso, em dimensões sobrepostas e cruzadas), duas outras novas formas de energia foram criadas e estão sendo usadas como combustível; além disso o princípio da causalidade foi totalmente revisto e hoje muito do que chamávamos de espiritualidade em 2014 entrou para o campo da física e das teorias do conhecimento. É muito bonito ver como ciência e espiritualidade estão se fundindo, exatamente como muitos pensadores já em 2014 diziam.

Querido diário, quero falar ainda muita coisa, mas acho que por hoje basta, podemos continuar conversando depois?

Quarta-feira, 3 de dezembro de 2014.

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Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

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Foto: Zoonar/ranczandras/CrayonStock