É possível sair de a zona de conforto?

Será que existe uma zona de conforto real? É possível sair dela? Queremos sair dela?

No dia-a-dia, para as coisas funcionarem normalmente, você provavelmente estabeleceu (consciente ou inconscientemente) várias rotinas, hábitos, padrões de comportamento e de relacionamento que te ajudam a definir quem você é, os traços marcantes de sua personalidade, seu perfil no trabalho, na família, entre desconhecidos, entre os amigos, no relacionamento, em espaços públicos, na intimidade etc.
A maioria das pessoas faz (consciente ou inconscientemente) assim e isso acaba tornando as coisas mais confortáveis. Inclusive, essa é precisamente a tão falada "zona de conforto". Falando de forma simplista, você 'criou' um personagem para a sua pessoa e na maioria do tempo age conforme as características que esse personagem está acostumado (e que as pessoas a seu redor estão acostumadas). Os antropólogos, sociólogos e psicólogos provavelmente dirão que essa é uma estratégia comum de sobrevivência/convivência da espécie humana, que ajuda a sua vida a fluir normalmente e em padrões aceitáveis; mas não pretendo me aprofundar nisso (antropólogos, sociólogos e psicólogos sintam-se à vontade para discordar).
Sair da zona de conforto é algo muito bom, e normalmente são os jovens que falam sobre isso (o que acaba sendo associado a fazer loucuras e radicalidades...). Sair da zona de conforto, a meu ver, não significa necessariamente pedir demissão de repente para surfar pelo mundo, ir para algum país da Ásia trabalhar em lavouras e comer insetos, usar substâncias alucinógenas no Peru ou passar a pular de para-quedas no final de semana. As mudanças de verdade começam dentro de você, e você é que decide quando e como vai fazer isso.
O primeiro passo para sair da zona de conforto é ter consciência desse personagem que você criou e de que você pode desligá-lo a qualquer momento. É ter consciência de que muitas das coisas que você faz são apenas hábitos, reflexos da expectativa dos outros sobre você e condicionamentos familiares, culturais e sociais que você aceita (desde sempre) e aplica na sua vida; não necessariamente eles são o melhor para você, ou refletem suas vontades mais íntimas e sinceras.
Segue um experimento que costumo aplicar em mim mesma e costuma funcionar: experimente por uma semana (para começar) parar de fazer coisas que você faz sempre, apenas mude, pela experiência, para ter a sensação de sair do seu personagem e perceber como você se sente. Se você fica o dia inteiro conectado no Facebook e trocando mensagens com amigos e se divertindo com essa interação digital constante, passe uma semana desconectado e veja o que você sente. Se você nunca dá atenção à determinada pessoa sem qualquer motivo, experimente por uma semana se super atencioso e prestativo a ela e veja se isso muda algo para você. Se você almoça sempre de forma rápida e acelerada em qualquer lanchonete sem sentir o sabor ou prestar atenção no que está comendo, experimente uma semana comendo devagar e atenciosamente uma comida mais saudável e veja se isso te faz sentir algo. E por aí vai, infinitas possibilidades. E pode ser que simplesmente experimentar vire seu novo hábito.
Não existe um comportamento padrão de "sair da zona de conforto", existe a tentativa, a abertura, a experiência. E toda experiência tem que começar em algum lugar, por algum período e com a consciência de que é necessário desapegar, desprender, "desidentificar" (parar de identificar a sua essência como pessoa com os hábitos que você tem, com sua personalidade externa). O exercício de perceber que não somos seres fixos e com comportamentos imutáveis é importante para qualquer evolução pessoal. Esse exercício pode começar como sugiro aqui: experimentando outros hábitos, outras formas de se fazer a mesma coisa. Estando munido de autoconsciência e abertura, é uma jornada para a expansão.
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Em certo sentido, todos nós estamos no mesmo barco: estamos passando por uma jornada no planeta Terra. Fomos colocados aqui com um corpo e uma mente e nos foi dado algum tempo para descobrirmos as maravilhas desse planeta e desse fenômeno chamado vida. Só temos certeza de uma coisa: esse tempo não é para sempre, e seria ótimo se essa nossa jornada fosse incrível. Mas não sabemos o que temos que fazer e nunca ninguém poderá nos dizer com certeza qual é essa resposta. A jornada em si se confunde com seu próprio objetivo, fazendo com que a cada instante a jornada seja recriada e a perspectiva própria seja transformada. Assim é a vida, um processo em que a autodescoberta cria e se confunde com a descoberta externa.

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Não sou especialista nesse tema, mas gosto de explorá-lo. Pretendo sempre rever esse assunto, para mim é indispensável. Sem autoconhecimento, consciência e expansão, estamos rodando em círculos.

Até breve!

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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups


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Foto: Zoonar/ranczandras/CrayonStock