A importância de estar tranquilo e se ouvir, diariamente

Para muitas pessoas a vida corre em um ritmo estressante e frenético, cheio de atividades: elas acordam cedo e vão dormir tarde e nesse meio tempo encontram tempo para satisfazer suas necessidades alimentares, banho, talvez jantar com o marido/esposa, levar o filho para a escola, dar uma ajeitada na casa e outras atividades pontuais. Mas no geral me parece que as pessoas não têm tido tempo de sentar (ou deitar, caminhar) por alguns minutos sem fazer nada e sem ter que se preocupar ou pensar em nada pré-estavelecido. Apenas serem elas, sem programação. Parar um pouco para ouvirem a si mesmas, ouvirem o que o corpo e a mente precisam, ouvirem um pouco do momento, daquilo que não está planejado para hoje.

Não fazer nada programado pode ser: apenas sentar e relaxar, talvez ouvir uma música, talvez fazer um passeio despretensioso, talvez fazer aquilo que se ame fazer. Possivelmente ir ao cinema com alguém que se ame, convidar um amigo para jantar em casa e caprichar em cada detalhe da comida e do momento. Brincar com filhos e sobrinhos, como se ainda fosse criança. Ler um livro de ficção, ou qualquer livro que não tenha nada a ver com trabalho. Aprender uma língua nova, uma cultura nova, uma arte nova sem que isto precise ser útil para algo, ser útil para ganhar dinheiro, ser útil para crescer profissionalmente, ser útil porque alguém disse que seria útil.

E não serve ter apenas os momentos de descanso do final de semana (momento oficialmente instituído para o descanso do corpo e da mente - ainda que muitos também não descansem no final de semana), estou falando no meio da semana, no intervalo do trabalho, antes ou depois do trabalho. A semana tem 7 dias, não acho cabível apenas haver um tempo para tranquilidade, paz e autoconhecimento nos 2 dias do  "final de semana". Somando-se que para muitas pessoas parte do final de semana é usada para resolver pendências que não foram solucionadas durante a semana, outra parte para dormir o que não foi dormido na semana e outra para planejar a próxima semana e os próximos finais de semanas.

Se a pessoa não está trabalhando, a mente dela está totalmente engajada com pendências e obrigações de fora do trabalho (pagar contas, ir ao mecânico, comprar ovos e salada, ir buscar o filho etc). Há sempre algo planejado, algo que deve estar sendo feito. Não existe um vazio proposital, uma ausência de planos prolongado. Me parece que isso, hoje em dia, é visto como preguiça, como falta de "garra".

De volta a onde começamos: parece que de alguma forma a agenda das pessoas, inclusive a agenda dos pensamentos e preocupações, está ocupada, e ocupada com atividades úteis e necessárias para os planos pré-estabelecidos. Não existe não fazer nada, não pensar em nada, não ter nenhum compromisso ou necessidade imediata por algumas horas. Não existe perceber o que aquele momento está te trazendo, descobrir na hora o que fazer, sentir o que se está com vontade de fazer, inventar, inovar, se redescobrir. Isso seria muita ousadia, talvez fosse rotulado por alguém como "falta do que fazer". Não existe deixar que o corpo e a parte mais profunda de nós mesmos nos mostre o que estamos precisando, mostre qual seria o caminho mais sincero para nós mesmos, mostre quem realmente somos.

Nosso ser (mente/corpo) é muito inteligente e pode ter bastante autoconsciência dos processos que estão acontecendo em nossa vida. Ele aprende com o que passou, sente, reflete, processa e, usando todos nossos recursos humanos existentes, todos banhados com nosso sentido profundo de quem somos, nos ajuda a definir para onde vamos. Mas é preciso ouvir a si mesmo, é preciso ter tempo de não fazer nada programado e apenas ser. É preciso pausar a mente, deixar de pensar naquilo que você a pressão do dia-a-dia planejaram para hoje, para a semana que vem, para o próximo ano. 

Talvez você não esteja sendo sincero consigo mesmo e com suas necessidades "espirituais", emocionais e racionais mais profundas. Mas você só vai saber isso se der, diariamente, um tempo para si mesmo, para se ouvir, para se entender. Tranquilidade e paz interna fazem bem para saúde e, de quebra, nos ajudam a saber melhor quem somos e para onde vamos.

Tenho um vídeo no canal que pode interessar vocês, segue: Como relaxar: banho e chá relaxantes (e anti-stress)




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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups


Espaço de tranquilidade
Foto: Zoonar/CrayonStock